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Saldo comercial apresenta queda
Mercosul faz acordo para combater barreiras
Euro garante exportação recorde de autopeças
Furlan: maior consumo não prejudicará exportações

Saldo comercial apresenta queda

O saldo da balança comercial foi de US$ 1,732 bilhão em novembro, o melhor resultado histórico para o mês. Esse valor, no entanto, foi o mais baixo desde maio último, quando as exportações superaram as importações em US$ 2,517 bilhões. Há questões sazonais que justificam essa queda. Tradicionalmente, nos últimos meses do ano, registra-se uma expressiva redução dos embarques de produtos agrícolas, especialmente de soja em grão, que é o principal item da pauta de exportações brasileira.

No acumulado do ano, o superávit na balança comercial já superou a meta de US$ 22 bilhões estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) para 2003 e chegou aos US$ 22,078 bilhões, com exportações de US$ 66, 336 bilhões (o objetivo é fechar dezembro com US$ 70 bilhões) e importações de US$ 44,258 bilhões.

O resultado, na avaliação do secretário de Comércio Exterior do MDIC, Ivan Ramalho, embute uma série de indicadores que demonstram ganho de competitividade das exportações brasileiras e indicam a consolidação da retomada do crescimento econômico. Ele listou, entre outros, o aumento dos níveis de importações, especialmente de bens de capital; o aumento no valor agregado dos produtos embarcados; a abertura de novos mercados; e a recuperação da Argentina, que voltou a ser o segundo maior comprador de produtos brasileiros, atrás dos Estados Unidos.

Em novembro, pelo terceiro mês consecutivo, os níveis de importação superaram os volumes registrados no mesmo período de 2002. No mês passado, essas compras chegaram a US$ 4,248 bilhões, 10,4% maior do que em novembro de 2002. Desde setembro, a média diária das importações é superior aos US$ 200 milhões, patamar que não era alcançado desde julho do ano passado (US$ 218,4 milhões).

Outra boa referência para o desempenho da produção futura é o fato de as importações de bens de capital terem aumentado no mês passado 10,9% em relação a novembro de 2002, acumulando um crescimento de 15,6% no último trimestre. "Isso mostra que as empresas começam a pensar em aumentar a capacidade de produção ou modernizar seus equipamentos", comentou José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Ramalho também comemorou o aumento no valor agregado dos produtos exportados pelo Brasil e lembrou que, no fim do ano passado, os manufaturados correspondiam a 54,7% da pauta de exportação, participação que supera os 57,8% hoje. "Como os preços desse item ficaram praticamente estáveis ao longo deste ano, está provado que nosso desempenho comercial melhorou porque abrimos novos mercados e ganhamos competitividade. Acredito que esse processo deve continuar no ano que vem, especialmente por causa da assinatura de novos acordos."

No mês passado, a venda de produtos manufaturados foi 22,2% superior à registrada no mesmo período de 2002. Na mesma comparação, os básicos aumentaram 19,2% e os semimanufaturados diminuíram 4,6%. Já no acumulado do ano sobre o mesmo período do ano passado, os básicos, manufaturados e semimanufaturados apresentaram elevações nos embarques de 24,5%, 19,6% e 20,7% respectivamente.

O diretor da AEB fez algumas ressalvas que podem afetar negativamente o saldo comercial do ano que vem. "Eu tenho dúvidas se o saldo da balança comercial se manterá nos patamares atuais se o crescimento do PIB superar os 3% no ano que vem", destacou. "Em média, para cada 1% de crescimento do PIB, há um aumento de 5% nas importações."

Fonte: Valor Econômico - SP - 02/12/03

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Mercosul faz acordo para combater barreiras


O uso crescente de normas técnicas para restringir o acesso de produtos importados levou os países do Mercosul a firmarem um acordo, ontem, para defenderem, em bloco, os interesses de exportadores brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios, contra exigências ambientais, de saúde ou outro tipo de barreira burocrática não previsto em tratados.


A assinatura do acordo, em Buenos Aires, entre os institutos de normas técnicas dos quatro países do Mercosul, foi acompanhada pelo próprio ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, em uma indicação da importância conferida ao assunto.


A última barreira importante desse tipo foi levantada pela União Européia, no fim de outubro, com um novo regulamento para importação de produtos químicos que, a pretexto de proteger a saúde população, ampliou o número de testes e ensaios, o que vai dificultar e encarecer a exportação de produtos brasileiros àqueles mercados. O Brasil tem cerca de 12 mil normas técnicas, número bem inferior ao de países desenvolvidos.

O acordo firmado ontem vai estender aos empresários da Argentina, paraguai e Uruguai um sistema já aplicado pelo Inmetro, no Brasil, aos exportadores nacionais, o "Alerta Exportador", pelo qual governo e setor privado identificam permanentemente as barreiras técnicas indevidas levantadas por outros países. "É a primeira vez que os quatro países trabalham em conjunto para superar barreiras técnicas", comemorou o Coordenador-geral de Articulação Internacional do Inmetro, Paulo Ferracioli.


O "Alerta Exportador" divulga automaticamente a 1,1 mil exportadores brasileiros novas barreiras criadas pelos países sócios da Organização Mundial de Comércio (OMC), o que permite ao setor privado identificar exigências injustificadas e assessorar o governo na contestação dessas barreiras na própria OMC. A rede formada com o programa permite também aos exportadores alertarem o governo sempre que encontrarem barreiras técnicas inesperadas às exportações - pelas regras da OMC, os países são obrigados a notificar qualquer alteração em suas normas que possam funcionar como restrição ao comércio. O acordo firmado ontem acrescenta os empresários argentinos, paraguaios e uruguaios a essa rede de informações, o que, espera o governo brasileiro, dará maior agilidade à contestação das barreiras injustificadas aos produtos do Mercosul.

Fonte: Valor Econômico - SP - 02/12/03

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Euro garante exportação recorde de autopeça


A indústria de autopeças registrará neste ano um recorde no faturamento com exportações, que deve alcançar US$ 4,6 bilhões, segundo o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori. Além de superar as expectativas dos próprios executivos, o resultado traz junto, ainda, a volta do superávit na balança comercial, fato que o setor não registrava desde 1996.


Segundo Butori, a valorização do euro facilitou a negociação dos contratos na Europa para as empresas de componentes instaladas no Brasil. "Isso ajudou a trazer mais rentabilidade", afirma o dirigente.


No ano passado, a indústria de autopeças exportou o equivalente a US$ 3,881 bilhões, o que significa que o resultado previsto para este ano representará crescimento de 18,5%. "Estávamos contando com US$ 4,2 bilhões em exportações neste ano", lembra Butori.


Além do aumento da competitividade em relação aos fabricantes europeus, em razão da alta do euro, o presidente do Sindipeças lembra que as empresas de componentes instaladas no país estão, junto com as montadoras, aproveitando a ociosidade para elevar vendas externas.


Todos investiram na ampliação das fábricas para acompanhar um crescimento de mercado interno que não se concretizou. Com espaço para produzir mais, esses fabricantes buscam preencher a ociosidade com a exportação. Em outubro, o setor de autopeças registrou ociosidade média de 35%.


Depois de seis anos de déficit, a balança comercial de autopeças registrará saldo positivo em 2003. Nas contas de Butori, o resultado deve alcançar US$ 400 milhões de superávit. Mas, além do aumento nas exportações, o saldo positivo é também um retrato da queda nas importações. Com a queda no mercado interno, as montadoras compram menos componentes, inclusive no mercado externo.


Nas contas de Butori, a participação da exportação na indústria de componentes hoje gira em torno da média de 40%. Mas há casos em que passa de 60%.


A Europa tem posição de destaque no comércio exterior da indústria de autopeças brasileira. A Alemanha está no terceiro lugar da lista dos principais compradores. Mas os Estados Unidos e o México ainda são os principais destinos dos componentes de veículos fabricados no Brasil, absorvendo quase a metade dos volumes embarcados.


A melhora no ritmo da atividade no setor de autopeças começou a se refletir no próprio nível de emprego. Em outubro, o número de empregados no setor aumentou um pouco, passando de 169,9 mil para 170 mil. O faturamento deflacionado no acumulado de janeiro a outubro foi 0,4% superior a igual período do ano passado. O consumo de energia elétrica também aumentou 5% no mesmo período.

Fonte: Valor Econômico - SP - 02/12/03

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Furlan: maior consumo não prejudicará exportações


O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse nesta segunda-feira que as exportações brasileiras devem fechar o ano em US$ 72 bilhões. Segundo ele, no mês de novembro, quando as vendas externas somaram US$ 66,336 bilhões, foi atingida a meta de aumentar em 10% as exportações em relação ao ano passado.


De acordo com Furlan, o desempenho das exportações brasileiras no mês de novembro foram 16,6% superiores ao mesmo mês do ano passado. O ministro ressaltou, ainda, que o reaquecimento do mercado interno previsto para 2004 não impedirá o crescimento das exportações.

O ministro participou, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da apresentação da primeira carteira de projetos com possibilidade de financiamento por meio de parceria público privada.

Fonte: Diário do Grande ABC - SP - 02/12/03

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